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A grande mobilização social e midiática diante a falta de apoio e patrocínio para a seleção.

A cada 4 anos o Brasil para pra assistir Pelé, Zico, Romário ou Neymar fazer um gol em Copa do Mundo. O futebol masculino, que é 5 vezes campeão mundial, bateu recorde de audiência em 2018. Enquanto isso, a seleção de futebol feminino coleciona títulos em diversas competições e só teve sua primeira Copa do Mundo com transmissão de todos os jogos em TV aberta, pela Rede Globo, em 2019. As diferenças não estão apenas nas transmissões, como também estão nos salários e no marketing.

Com álbum de figurinhas da seleção, jogos transmitidos com narradoras e comentaristas mulheres, uniformes feitos especialmente para as brasileiras e grandes marcas apoiando a seleção, esta foi uma copa histórica para o futebol feminino. Mas isto só foi possível diante de de uma grande mobilização social e comercial, principalmente nas redes sociais, começado por grandes marcas.

Uma das primeiras marcas a abraçar essa ideia foi o Grupo Boticário. Por não ser patrocinadora da seleção, a marca não tinha o direito de usar o nome da competição e nem da imagem das jogadoras mas mesmo assim, convidou outras marcas a apoiarem a seleção.

O Guaraná Antártica, patrocinador oficial da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) também lançou uma campanha de apoio, em um comercial que admite ser uma vergonha ter tido vários comerciais com jogadores da seleção masculina e nenhum com as mulheres.

Junto com a meia Andressinha, a lateral-direita Fabi Simões e atacante Cristiane, o comercial mostra as jogadoras reproduzindo comerciais da própria marca e de outras, incluindo de outros segmentos, com o intuito de mostrar que elas também podem participar deles.

MARTA E SUA LUTA POR DIREITOS

A camisa 10 da seleção, Marta, reforça o quanto é importante e o quanto ainda falta para que o futebol feminino seja reconhecido e receba apoio. Disse a jogadora, embaixadora da ONU Mulheres, após a derrota nas oitavas de finais:

Não vai ter uma Marta para sempre, uma Cristiane, uma Formiga. E o futebol feminino depende de vocês para sobreviver.

Além de futebol de qualidade, Marta também foi motivo de notícia durante a Copa por outros motivos. A jogadora não possuía contrato com nenhuma marca esportiva e preferiu usar o símbolo da campanha “Go Equals”, que luta por mais igualdade, em suas chuteiras. Isso porque desde 2018 ela se recusa a assinar contratos com essas marcas, que não oferecem valores aproximados aos que são pagos a jogadores do sexo masculino.

Durante os jogos da seleção, Marta usou o batom da marca Avon, marca a qual é garota-propaganda. O motivo: a campanha entorno da linha de batons gira em torno da sua grande fixação de 16 horas, algo que pode ser comprovado com seu uso durante os jogos que, mesmo depois de tanto esforço, continuou intacto. O que acabou gerando uma grande polêmica.

A polêmica gerada perante ao Marketing se deu devido à proibição da FIFA que outras marcas, além das suas seis patrocinadoras oficiais, façam uso de propaganda de produtos durante suas competições. Seu regulamento permite duas formas de marketing: quando um atleta anuncia seu produto ou quando uma empresa tenta parecer que é parceira da fifa. Para a equipe de Marta, ela não praticou nenhum desses tipos de marketing, uma vez que ela não se referiu ao batom em nenhuma entrevista durante a Copa, apenas quando os jornalistas a perguntaram espontaneamente.

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